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ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA PODERIA INCLUIR O “EDUCACIONISMO”
Maria Rachel Coelho - 16/09/2008

Entrará em vigor, a partir de janeiro de 2009, o Acordo Ortográfico que vai envolver cerca de 220 milhões falantes da língua portuguesa em sete países: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor leste.
O Brasil será o primeiro país entre os que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa a adotar oficialmente a nova regra ortográfica a partir do ano que vem. Em janeiro de 2009 as editoras terão de adequar gradativamente suas publicações às novas regras. Do início do ano que vem até 31 de dezembro de 2012 se estenderá um período de transição, enquanto valerão tanto as normas atuais quanto as novas.
As mudanças mais significativas estão na alteração na acentuação de algumas palavras, na extinção da trema e da utilização do hífen. No Brasil, as mudanças atingem aproximadamente 0,5% das palavras. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%.
Este acordo altera 0,43% dos verbetes brasileiros. Dentre as principais alterações teremos o Alfabeto contando com 26 letras, incorporando K, W e Y; O trema deixa de existir, permanecendo somente em nomes próprios; Cai o acento agudo em ditongos abertos “ei” e “oi” (como idéia e jibóia), e nas palavras paroxítonas com “i” e “u” tônicos, precedidos de ditongo (como feiúra); Palavras com duplo “o” (como vôo) e conjugação verbal com duplo “e” (como vêem) não levam mais acento circunflexo; O acento deixa de existir para diferenciar palavras como pára (verbo) e para (preposição); O hífen deixa de existir em palavras compostas, em que o segundo elemento começa com “r” ou “s” (como anti-rábico, que passa a ser antirrábico). Mantém-se apenas quando o primeiro elemento terminar também em “r”, como “inter-racial”.

O Ministério da Educação abriu uma consulta pública para receber sugestões sobre as normas do período de transição.

Educacionismo e Educacionista são dois termos que embora datem do século XIX não constam ainda dos dicionários. Já existem na internet 90.300 citações para o termo Educacionismo e 68.700 para Educacionista. Números sem precisão científica, mas que mostram uma incorporação das palavras ainda inexistentes nos dicionários da língua portuguesa.

O Educacionismo é uma proposta de nova utopia para preencher o vazio deixado pelo fracasso do capitalismo, socialismo ou desenvolvimentismo. O Educacionista busca uma sociedade equilibrada, defendendo a reorientação do projeto civilizatório para assegurar a mesma chance entre classes, pela igualdade na educação. A doutrina Educacionista centra o progresso e a utopia em uma revolução pela educação, que assegure a cada ser humano os instrumentos necessários para sua libertação intelectual e material, por meio da educação.
Na visão tradicional, a educação é um serviço, no Educacionismo, é o instrumento de construção e transformação social: é o vetor civilizatório. Na visão economicista, desigualdade ou igualdade são corrigidas ou criadas pela economia; no educacionismo, o berço da igualdade ou da desigualdade está no berço social: a escola.
Somente pela igualdade plena no acesso à educação, independente da renda familiar, da raça dos pais, do lugar onde vive. Só assim será possível a emancipação de cada ser humano, por meio da educação. A civilização industrial caminha para uma catástrofe, pois desiguala seus indivíduos e degrada o Meio Ambiente. E o caminho para interromper esta marcha ao colapso ético, social e ecológico é o Educacionismo. A solução política para essa reorientação não virá da revolução de uma classe sobre outra, não será obtida pela economia ou na evolução na produção como defendem os capitalistas, ou revolução na propriedade, como defendem os socialistas mas por uma revolução na educação.

Isso é o Educacionismo. E se espalham cada vez mais rápido por todo mundo os defensores dessa nova doutrina ideológica, os educacionistas.

Fica, então, como sugestão incluirmos as palavras Educacionismo e Educacionista no nosso dicionário. Melhor oportunidade não há.