Maria Rachel Coelho: Cidadania e justiça!

Artigos

A MAIS GRAVE CRISE: A DA EDUCAÇÃO
Maria Rachel coelho - 22/03/2009

A MAIS GRAVE CRISE: A DA EDUCAÇÃO

Durante toda semana discutiu-se o cenário atual da educação brasileira à luz de uma pesquisa encomendada ao Instituto Ibope pela ONG Todos pela Educação.

A pesquisa apontou as principais dificuldades no ensino e nas escolas públicas do país. Quais são os maiores problemas da educação pública, na opinião dos brasileiros? "A gente vem aqui para estudar, quando chega não tem aula", diz uma menina de Belém do Pará. "Salários baixos. Os professores ficam desmotivados", afirma um professor de Cuiabá.

E o primeiro lugar no ranking das dificuldades surpreendeu, 50% dos entrevistados citaram a falta de segurança e as drogas. Em segundo lugar, estão professores desmotivados e mal pagos. E em terceiro lugar aparece a baixa qualidade do ensino.

Não surpreende que a questão da segurança venha em primeiro lugar e, de certa forma, talvez esse item explique os dois seguintes, que é a desmotivação dos professores e a questão da dificuldade de aprendizado de algumas crianças, porque, quando não se tem um ambiente de paz, um ambiente próprio para o aprendizado, isso dificulta a relação ensino-aprendizagem, dificulta o trabalho do professor e, por desdobramento natural, também o desempenho dos estudantes.

Professores e alunos se sentem inseguros. Reclamam que a escola hoje é desprotegida.

O resultado da pesquisa desafia os especialistas que encomendaram o estudo. Não imaginavam que o problema da insegurança na escola tinha essa dimensão. Sabiam que esse problema existia, mas tinham a impressão que estaria mais focalizado em algumas áreas, em algumas cidades, mas a pesquisa mostra que o problema é muito mais amplo.

Os números revelam que todas as classes sociais estão preocupadas com a violência na escola pública. Drogas e falta de segurança são citadas por 56% dos entrevistados com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos. E, mesmo entre os mais ricos, o índice chega a 40%.

Quando atinge pobres e ricos passa a ser surpresa!

O segundo grande problema da educação apontado pela pesquisa: professores desmotivados e mal pagos.

E finalmente a má qualidade do ensino. O número de analfabetos funcionais impressiona. Alunos que já passaram pela alfabetização, mas que ainda não conseguem entender o que leem.

A prefeitura do Rio de Janeiro, também esta semana, quis saber quantas crianças estão na escola e não aprendem e avaliou estudantes de quarto, quinto e sexto anos. Dos 210 mil alunos, 25 mil foram considerados analfabetos funcionais.

Em todo o país, os brasileiros que não compreendem o que leem somam um quinto da população com mais de 15 anos de idade.

E estamos observando uma tragédia de resultados levando em conta somente os que estão na escola. Não foram avaliados e incluídos na pesquisa os que nunca freqüentaram a escola ou a abandonaram.

E por que um aluno que frequenta a sala de aula não consegue aprender? E por que toda essa crise educacional ?

Porque para que hoje tivéssemos paz precisávamos ter construído escolas. Construir uma escola custa muito menos do que não construí-la. Agora, precisamos transformar a escola de hoje, para transformar o Brasil.
Fazer do Brasil um país produtor da indústria de conhecimento. É nisso que se baseia o Educacionismo. Uma escola de qualidade e igual para todos. O motor do progresso não é mais o engenheiro ou o economista, mas o professor. Estamos 200 anos atrasados, e ainda dizem que é cedo para implantar uma escola em horário integral, pagar bem seus professores e exigir deles qualificação e dedicação.

Pensam que outros países tem boas escolas porque são ricos, mas é o contrário: eles são ricos porque tem boas escolas. A educação não vem da riqueza, a educação faz a riqueza. O Brasil é um país com as prioridades de cabeça para baixo.

O Presidente Obama está dando um exemplo disso. Dos US$800 bilhões que está injetando no mercado, quase US$200 bilhões são para o sistema educacional, não só para melhorar o sistema, mas para gerar demanda para os bens que as escolas compram, e, com isso, dinamizar a economia.
Serão novas escolas construídas nos Estados Unidos, novos equipamentos comprados, melhorar o salário do professor, e com isso, melhorar a economia.


Não tem futuro um País que não valoriza o professor. E Obama está revendo isso, aumentando a demanda que os professores exercem sobre a economia através da melhoria salarial, e vinculada à qualidade. A educação só melhora se esse dinheiro for revertido em qualidade educacional, exigindo mais formação e dedicação do professor e melhores notas dos alunos, vinculando os incentivos dados aos professores aos resultados que esses professores consigam nas salas de aula.


Precisamos assumir isso no Brasil. Buscar uma saída, não puramente econômica e sim uma saída capaz de ver toda a complexidade da crise, a financeira, a econômica produtiva, a social da desigualdade e a ecológica. Uma saída sustentável e não uma saída provisória, como se tem feito.

Está na hora e isso tem que partir de nós, sociedade civil. Chega de omissão. Não podemos esperar mais.

Não podemos mais ficar comentando pesquisas com esses resultados vergonhosos. Não podemos mais continuar pagando as altas contas desses congressistas que passam o tempo todo enrolados em escândalos, enquanto nossas crianças analfabetas estão perambulando pelas ruas.

Temos que ousar como fizeram os anarquistas-educacionistas da época de Getúlio. E agora com uma revolução diferente. Abandonando esse sistema de desenvolvimento econômico em que estamos desde os anos 30.

Nós temos capacidade para isso. Nós temos pessoas para isso. Lideranças que querem sair desse modelo que faliu e buscar um novo. É um grande desafio. Mas podemos. Sair da crise buscando o novo e não sair da crise voltando e insistindo em direção à parte velha de um sistema que não funciona mais.

Está na hora. O Brasil precisa de uma proposta nova, diferente, alternativa, revolucionária. O Brasil precisa de uma revolução educacionista.