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Consumo Sustentável VII: A Obsolescência Programada
Maria Rachel Coelho - 25/06/2012

Teminada a Rio+20 um um pontos mais debatidos no tema padrões de consumo e produção sustentáveis foi a obsolescência programada.Mas o que vem a ser a obsolescência programada? é o nome dado à vida curta de um bem ou produto que etrategicamente é projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido.

Inventada na década de 1920, pelo então presidente da General Motors Alfred Sloan. para atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Experiência repetida por Bill Gates, fundador da Microsoft, que também a adotou como estratégia de negócio nas atualizações do Windows.

Por falar em Windows, os equipamentos eletrônicos tem durado cada vez menos ou são fabricados de forma a dificultar sua manutenção. Ainda vemos hoje computadores da década passada funcionando perfeitamente, utilizando sistemas otimizados para eles, enquanto que computadores comprados de uns 3 anos atrás tem durado cada vez menos.

Mas será que as pessoas sabem para onde esse lixo eletrônico vai? Que eles contém substâncias tóxicas que contaminam o solo e a água? Parece que basta jogar na lata do lixo e o resto é problema de quem recolhe. Mas esse lixo segue com todos os outros resíduos para os lixões e aterros e lá o tempo irá decompor esses componentes. Esse material decomposto é formado por metais pesados e outros elementos prejudiciais a saúde, eles contaminam o solo, lençois freáticos, cursos de água; retornando mais tarde para o nosso corpo através da água e dos alimentos que consumimos diariamente.

Daí a importância da discussão,Podemos tentar usar eletrônicos de uma forma geral, o maior tempo possível. Evitar comprar equipamentos descartáveis. É só lembrar: tudo o que jogamos no lixo, um dia volta para o nosso prato.

Obsolescência, vem de obsoleto, o que se torna antigo, caduco mas a programada é um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". Sua função é garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.

Surge então mais uma preocupação, o que fazer com esse lixo eletrônico? Culturalmente as pessoas tem a ideia que depois de jogado na lata do lixo, é problema de quem recolhe, porém esse lixo segue com todos os outros resíduos para os lixões e aterros e lá o tempo irá decompor esses componentes. A questão reside aí, pois esse material decomposto é formado por metais pesados e outros elementos prejudiciais a saúde, eles contaminam o solo, lençóis freáticos, cursos de água; retornando mais tarde para o nosso corpo através da água e dos alimentos que consumimos diariamente.

Por isso é importante discutirmos sobre o consumismo de equipamentos eletrônicos, tentanto utilizá-los o maior tempo possível. Também evitando comprar equipamentos descartáveis, pois além do fato de que tudo o que jogamos no lixo, um dia volta para o nosso prato,está explícito que estamos sendo usados como idiotas.

E não é só com eletrônicos. Hoje, os eletrodomésticos são piores, em questão de durabilidade, do que há 50 anos. Os produtos são fáceis de comprar, tem até isenções de IPI mas são desenhados para não durar, e o consumidor sofre para dar a eles uma destinação final adequada.

Precisamos nos impor e cobrar de governos e empresas uma urgente mudança nessa realidade. Organizar uma frente da sociedade civil para pressionar a mudança dos padrões de produção e consumo, de forma a diminuir o descarte desnecessário de toneladas de lixo eletrônico e tóxico no planeta , exigência esta que foi incluída no Documento Final da Conferência, descrita como Novos Padrões de Consumo e Produção.

As empresas precisam assumir suas responsabilidades dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Podemos promover uma revolução nos padrões de produção e consumo, isso é possível, mas depende de cada um de nós.

Que o Estado regule, fiscalize e induza estes novos padrões e que as empresas tenham transparência, garantindo ao consumidor acesso à informação e assumam a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos, visando o desenho adequado dos produtos e suas embalagens e o fim da obsolescência programada.

Maria Rachel Coelho, Doutora em Ciência Política, Mestre em Direito, Professora da UFRJ e Responsável por Educação para o Consumo no Procon/RJ.