Maria Rachel Coelho: Cidadania e justiça!

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Os Consumidores Solidários: O que é afinal Crowdfunding
Maria Rachel Coelho - 24/04/2012

Para quem nunca ouviu falar em crowdfunding , é uma nova forma de consumo colaborativo. É uma iniciativa ou uma ação de cooperação coletiva feita por pessoas que contribuem financeiramente pela internet, algo que poderíamos definir como um "financiamento pela multidão" , sem dinheiro público ou benefícios fiscais ou patrocinadores. Ajuda a quem busca investimento para um projeto.

Isso vem viabilizando projetos pequenos e como bem definem seus colaboradores: "No crowdfunding , tudo é muito mais na paixão do que na calculadora".

Esse novo modelo também facilita projetos pequenos que não sejam de interesse do grande público. Os projetos podem ser de qualquer natureza: shows, filmes, viagens, revistas etc e não só aquelas propostas viciadas por editais e leis de incentivo.

São vários os sites que reunem projetos de crowdfunding. Os colaboradores interessados além de contribuirem também espalham a ideia para que assim venha a recompensa, ou seja, "a multidão".

O idealizador inscreve o projeto, estabelece uma meta a arrecadar, um período de tempo definido para essa arrecadação e quais recompensas serão oferecidas aos colaboradores.

O risco dos empresários tradicionais, nesse modelo, são repassados pelos produtores para os fãs. Em contrapartida, há uma série de recompensas como suvenires; edições limitadas especiais; ingressos gratuitos para o shows etc.

Para os donos dos sites e idealizadores, a grande emoção é a todo momento acessá-lo para verificar a arrecadação e a cada apoiador que aparece vibra até que a meta seja atingida.

Os produtores, por sua vez, falam em uma forma de solidariedade. Afirmam que a procura por uma realização supera o valor do ingresso. O desejo de dar vida ao projeto e contribuir para a diversidade sem a qual a vida cultural morre.

Alguns que já tiveram seus projetos realizados se sentem responsáveis em ajudar a outras pessoas nos seus.



Crowdfunding no Facebook

Essa nova iniciativa já chegou a maior rede social do mundo, o Facebook. Basta que o idealizador instale o aplicativo Mobilize em sua página com todas as informações sobre o projeto.

Mobilize é um aplicativo para Facebook que permite de forma gratuita transformar qualquer página do Facebook em uma campanha de crowdfunding. São colocados no aplicativo os dados do projeto (vídeo, fotos, descrição, recompensas, prazo e meta de arrecadação).

Assim começa a mobilização dos amigos para curtirem, compartilharem, comentarem, recomendarem e/ou contribuirem com o projeto. Quanto maior a divulgação, maiores as chances de arrecadar o valor necessário para realizá-lo.

As contribuições dos apoiadores são feitas diretamente na página do projeto dentro do Facebook através de pagamentos online por meio de cartões de crédito e débito, boleto bancário, transferência eletrônica ou saldo em conta MoIP. Os idealizadores devem ter uma conta MoIP (sistema seguro de intermediação de pagamentos pela Internet) para receber as contribuições realizadas ao seu projeto.

Qualquer pessoa pode iniciar uma campanha de crowdfunding dentro do Facebook , bastando para isso que instale o aplicativo Mobilize acessando www.mobilizefb.com.

A adesão ao Mobilize é gratuita e também não há custo de manutenção nem mensalidade. Na instalação deve ser selecionada a página do Facebook onde será realizada a campanha de crowdfunding. E também que o projeto seja bem interessante.

Estamos vivendo um momento bastante sensível para com o meio ambiente. Que tal, ao invés de gastarmos comprando uma série de coisas inúteis que vão entulhar nossas casas, contribuirmos para um bom projeto?

Portanto o Facebook também pode ser uma excelente solução para quem deseja buscar recursos para realizar um projeto artístico, cultural, social etc.

Apoiadores dessa iniciativa colaborativa trazem, assim, um novo olhar e uma nova ação para o financiamento cultural, seu papel e seus objetivos no Brasil. Um sistema mais democrático de se realizar um projeto e praticar boas ideias e principalmente sem precisar fazer concessões públicas ou privadas, nem de patrocinadores.



Maria Rachel Coelho, Professora da UFRJ, Mestre em Direito, Especialista em Direito Público e Privado, Responsável pela Educação para o Consumo no Procon/RJ