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Consumo consciente: diferença entre produto diet e light
Maria Rachel Coelho - 22/09/2011

Diabéticos, hipertensos, pessoas com nível de colesterol alto ou com excesso de peso podem consumir o mesmo alimento diet ou light?

O Ministério da Saúde classifica os produtos diet como o grupo de alimentos dietéticos produzidos para fins especiais e define:

"Alimentos dietéticos são aqueles especialmente formulados e/ou produzidos de forma que sua composição atenda necessidades dietoterápicas específicas de pessoas com exigências físicas, metabólicas, fisiológicas e/ou patológicas particulares".

Num alimento diet é retirada alguma substância e o termo só pode ser aplicado a alimentos destinados a dietas com restrição dessas substâncias, como carboidrato, gordura, proteína ou sódio. Um chocolate diet, por exemplo, não contém açúcar. Já uma bebida diet deve possuir um teor de açúcar menor que 0,5g/100ml (limite que pode ser maior nos refrigerantes dietéticos em que é adicionado suco de fruta).

Os consumidores de produtos diet normalmente apresentam condições metabólicas ou fisiológicas específicas. Precisam de alimentos especialmente formulados, que eliminam ou substituem algum componente como o açúcar (diabéticos), e o sal (hipertensos).

É comum produtos diet serem associados a emagrecimento, mas isso é equivocado. Isso porque o valor energético não é menor do que o de produtos convencionais, pelo contrário, pode até ser maior. No caso do chocolate diet, por exemplo, ele não contém açúcar, mas é gorduroso e calórico, até mais que o similar não diet. O açúcar é substituído pelo adoçante. Para preservar a consistência e torná-lo mais gostoso, os fabricantes muitas vezes adicionam gordura à fórmula, por isso o valor calórico aumenta. Assim, o produto é indicado para os diabéticos, mas não traz vantagem para quem quer perder peso.

Em outros casos, o nutriente eliminado (sódio ou proteína pode não interferir na quantidade de calorias).

Nos últimos anos os rótulos de vários refrigerantes foram alterados. O termo diet foi substituído por light. A Coca-Cola Light, por exemplo, é antiga Coca-Cola Diet. A mudança dos componentes edulcorantes (substâncias adoçantes) fez com que as bebidas ficassem mais saborosas. O açúcar continua eliminado da fórmula, por isso apesar do nome o produto ainda é considerado dietético.

Por exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), todo produto diet deve conter no rótulo a frase "Consumir preferencialmente sob orientação de nutricionista ou médico". Além disso, é aconselhado um alerta aos diabéticos quando o alimento contiver glicose, frutose ou sacarose, e o aviso "Contém fenilalanina" quando houver adição de aspartame à fórmula.

No caso de alimentos que possuem em sua composição trigo, aveia, cevada, centeio e derivados, o rótulo deve conter a advertência "Contém Glúten". Caso contrário, "Não contém Glúten".

Portanto, de acordo com a Anvisa o termo diet pode ser usado em dois tipos de alimentos:

1- Nos alimentos para dietas com restrição de nutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas, sódio);

2- Nos alimentos para dietas com ingestão controlada de alimentos (para controle de peso ou de açúcares).

Mas qual a diferença entre ingestão controlada ou restrição de nutrientes?

Os alimentos para dietas controladas não podem ter a adição de nutriente. Assim, para ingestão controlada de açúcar, não pode haver inclusão de nutrientes que possuam o açúcar natural do alimento como, por exemplo, a geléia diet que tem como açúcar natural a frutose.

Por último, os produtos sem sal são indicados para os hipertensos; os sem açúcar, para os diabéticos; os sem gordura, para os que têm excesso de colesterol; os sem o aminoácido fenilcetonúria, para os fenilcetonúricos etc.

Light

Com relação aos produtos light, esses sim, ajudam a perder peso caso haja diminuição significativa no teor de algum nutriente energético. Mas é bom lembrar que o consumo em excesso de um produto que contenha menos calorias em relação ao original pode encadear a ingestão de uma quantidade igual ou até maior de calorias, comparada ao consumo moderado de algo não-light.

O termo pode ser usado em produtos que tenham baixo ou reduzido valor energético ou valor nutricional. Os alimentos devem ter no máximo 40kcal/100g em produtos sólidos. No caso de bebidas, a proporção é de até 20kcal/100ml ou a redução mínima de 25% em termos de calorias, em comparação com produtos similares convencionais. O produto ao qual o alimento é comparado deve ser indicado no rótulo. Portanto, a definição de alimento light deve ser empregada nos produtos que apresentem redução mínima de 25% em determinado nutriente ou calorias comparado com o alimento convencional. Por exemplo: um iogurte light é aquele feito com pouca gordura (leite desnatado) ou com pouco açúcar.

O chocolate light traz a redução de algum nutriente específico ou do valor energético. É preciso consultar a tabela nutricional, na embalagem, para saber se essa redução é conveniente para a dieta do consumidor. Para quem tem alguma restrição alimentar, o chocolate light pode não ser o mais indicado.

O consumo de um produto light só propiciará diminuição de peso se for consumido na mesma quantidade do produto normal.

Também, existe ainda, muita dúvida dos consumidores com relação a Coca-Cola Zero. Sua formulação é quase idêntica à da light, e ela também não possui açúcar. É uma estratégia de marketing, que busca atingir públicos diferentes com produtos bastante semelhantes.

Portanto os produtos diet nem sempre são light.

O consumo de produtos diet ou light deve ser sempre feito com orientação de um médico ou de um nutricionista.

Confusão é fácil de acontecer; por isso, leia os rótulos com muita atenção. Compare os produtos light e diet com os alimentos convencionais. É muito importante verificar se eles atendem às suas necessidades.