Maria Rachel Coelho: Cidadania e justiça!

Artigos

Lixo: Reciclagem e consumo consciente
Maria Rachel Coelho - 13/09/2011

A geração de lixo está ligada direta e proporcionalmente ao nosso consumo. Quanto mais consumimos e quanto mais recursos naturais utilizamos, mais lixos produzimos. Estima-se que a população mundial, hoje com mais de 6 bilhões de habitantes, esteja gerando 30 milhões de toneladas de lixo por ano. Uma pequena parte de nosso lixo é reciclada.

Mais de 70% acabam depositados nos lixões a céu aberto. Os países desenvolvidos consomem muitos recursos naturais que os países em via de desenvolvimento, geram, portanto, mais lixo. Na realidade, as montanhas de lixo são um ótimo exemplo de um estilo de vida não sustentável.

Um dos grandes problemas ambientais de hoje é que temos que saber lidar com as sobras do lixo do consumismo.

A estratégia da política econômica mundial, com destaque para os chineses, é aumentar a venda de supérfluos também para os países de renda baixa, que são maioria, diminuindo a qualidade, mas ganhando na quantidade vendida por unidade de produto, o que deve gerar ainda mais lixo (plásticos, sobretudo).
O desafio na gestão de resíduos sólidos implica numa mudança radical nos processos de coleta e disposição de resíduos. Os novos sistemas de tratamento de lixo devem ter como prioridade a montagem de um sistema circular, onde a quantidade de resíduos a serem reaproveitados dentro do sistema produtivo seja cada vez maior e a quantidade a ser disposta no ambiente cada vez menor, bem como uma diminuição dos resíduos produzidos nas fontes geradoras.

Depende de nós, consumidores conscientes, conhecer e solicitar mais informações dos caminhos do produto desde a sua origem até o momento de chegar a sua casa. Ser um consumidor cidadão é escolher um produto de menor impacto ambiental, ajudando a minimizar o problema do lixo.

Interessante pesquisa mostra que nos países de baixa renda mais da metade dos resíduos equivale ao lixo orgânico de origem vegetal, que poderia ser facilmente reciclado, compostado e transformado, inclusive, em adubos e fonte de energia. Todavia, hoje o lixo orgânico é a principal causa de poluição da água, lençol freático e do solo. Isso tudo por falta de interesse econômico na mudança. Nos grandes centros urbanos, como as companhias que recolhem o lixo público são, majoritariamente, terceirizadas e cobram por tonelada de lixo coletado, diminuir a quantidade de lixo é prejuízo para as empresas.

Por sua vez, nos países de alta renda predomina o lixo "de luxo", como resíduos de papel descartável, latas de alumínio, eletroeletrônicos, pilhas, celulares, automóveis, além de resíduos de medicamentos da indústria de remédios e agrotóxicos. Sobre esse lixo, já se criou um novo mercado que movimenta cifras monetárias significativas e envolve milhões de catadores nos grandes centros. Os catadores já são responsáveis por mais de 70% da coleta desse tipo de lixo, e graças a eles as cidades não viram uma montanha de lixo.

Para as empresas que estão aperfeiçoando cada vez mais as embalagens e vendendo o mesmo produto, o custo da reciclagem (embalagem retornável) muitas vezes é mais um incômodo do que uma facilidade.
Assim, o lixo representa o fiel retrato da sociedade que o gera e quando exposto em locais públicos mostra o nível de competência das pessoas ou empresas responsáveis por sua administração.

Como na natureza, tudo se transforma nada é desperdiçado pois a natureza não gera lixo. Depende de nós, ajudarmos juntos nesse enorme desafio. Os animais mortos, excrementos, folhas e todo tipo de material orgânico são transformados em nutrientes pela ação de decomposição de milhões de organismos degradadores (bactérias, fungos, vermes e outros) para uma nova espécie de vida. Antigamente, todo o lixo gerado, restos de comida, excrementos de animais e outros tipos de material orgânico integravam-se à natureza e servia como adubo para a agricultura. Com a industrialização e a concentração da população em grandes centros urbanos, o lixo começou a ser um problema. Em nossa sociedade moderna já não respeitamos o princípio do circuito da natureza: Extraímos mais e mais matérias-primas e fazemos crescer montanhas de lixo. Cada um de nós gera diariamente cerca de 1 quilo de lixo, no qual se misturam materiais aproveitáveis e não aproveitáveis. Como não considerarmos o lixo um recurso reutilizável, ele se transforma em um problema sério da nossa civilização.

Os metais, por exemplo, são transformados em produtos, por meio do emprego de grandes quantidades de energia e matéria-prima. Uma vez cumprida a sua função imediata, são atirados no lixo, contaminando o meio ambiente. Outro exemplo de desperdício é o lixo orgânico, como restos de alimentos, verduras, frutas, etc. E é bom lembrar a origem de todos os produtos da natureza; o plástico, do petróleo, o vidro, do quartzo, da areia e da cal; as latas de alumínio da bauxita, etc.

Mais de 50% da produção mundial de lixo urbano, pertence aos cidadãos de países desenvolvidos. Quanto mais rica, mais lixo a nação produz. Não é por acaso que os Estados Unidos são os campeões no ranking do lixo, cada habitante norte-americano gera em média meia tonelada de rejeitos por ano . A alternativa está sendo exportar parte do lixo para os mais pobres.

Os países desenvolvidos também não querem mais arcar com o ônus da poluição ambiental. A nova estratégia é instalar suas empresas "poluidoras" em países com uma legislação ambiental pouco fiscalizada e importar o produto acabado. Um exemplo é a indústria da suinocultura. Segundo dados da EPAGRI a poluição do meio ambiente na região produtora de suínos é alta. Enquanto para o esgoto doméstico, o DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) é de cerca de 200 mg/litro, o DBO dos dejetos suínos oscila entre 30.000 e 52.000 mg/litro, ou seja, um aumento em torno de 260 vezes. Além disso, um suíno produz cerca de 2,5 mais dejetos do que um ser humano. Empresas Norte Americanas instaladas no Estado do Mato Grosso já chegaram a um rebanho suíno de 3 milhões de cabeças em 2010. Isso equivale ao esgoto produzido em uma metrópole. Da mesma forma como o tratamento de esgoto humano é urgente no meio urbano, o tratamento de dejetos de suínos deve receber o máximo de atenção no meio rural, em função do volume produzido e do potencial poluente.

Em geral, os países mais desenvolvidos produzem mais lixo domiciliar per capita (Quilos Por Dia). Veja os países abaixo que mais produzem lixo (Por Habitante) :

Estados Unidos da América - 3,2
Itália - 1,5
Holanda - 1,3
Japão - 1,1
Brasil - 1,0
Grécia - 0,8
Portugal - 0,6

Fonte: OMS (Organização Mundial de Saúde e Meio Ambiente)

PRODUÇÃO DE LIXO NO BRASIL

O Brasil produz aproximadamente 150 mil toneladas de lixo por dia, e cada brasileiro gera, em média, 1 quilo de lixo diariamente, podendo chegar a mais de 1,5 quilos, dependendo do poder aquisitivo e do local em que mora.

Como você pode notar na tabela abaixo, o Brasil ainda é um país que recicla muito pouco. O que o Brasil recicla? Aproximadamente 1,5% do lixo sólido orgânico urbano. Dos 900 mil metros cúbicos de óleo lubrificante consumidos anualmente, só 18% são novamente refinados.

•15% da resina PET.
•10% das 300 mil toneladas de sucata disponíveis para a obtenção de borracha regenerada.
•15% dos plásticos rígidos e filmes, o que equivale a 200 mil toneladas/ano.
•35% das embalagens de vidro, somando 280 mil toneladas/ano.
•35% das latas de aço, o que equivale a cerca de 250 mil toneladas/ano.
•64% da produção nacional de latas de alumínio.
•71% do volume total de papelão ondulado.
•36% do papel e papelão, totalizando 1,6 milhões de toneladas de produto reciclado.
Fonte: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)



Para que os países pobres possam aumentar seu consumo privado e consumo público de maneira sustentável, os países desenvolvidos devem diminuir o seu. De qualquer maneira, temos de reforçar a idéia de que, todos precisam economizar os recursos naturais, reutilizar e reciclar os produtos consumidos pela sociedade moderna. Essa é a única forma de diminuir o lixo e fazer com que os recursos durem mais tempo.

As Prefeituras em todo Brasil tem o dever de coletar os lixos residenciais e de pequenos comércios. As coletas de lixos de grandes Concessionárias, Permissionárias, Fabricantes, Importadores, Distribuidores, Representantes, Comerciantes em Geral, Fornecedores e Prestadores de Produtos e Serviços Essenciais de Consumo Privado e Consumo Público e Congêneres são de responsabilidade de quem produz.

Os entulhos também são de responsabilidades de quem produz, mas as Prefeituras têm o (Serviço de Coleta Gratuito) de até meio metro cúbico, por residência, uma vez por mês.

Acima de meio metro cúbico o serviço de coleta deve ser contratado junto as Concessionárias, Permissionárias de Produtos e Serviços Essenciais de Consumo Privado e Consumos Públicos Constituídas e Congêneres credenciadas das Secretarias Municipais de Saneamento. Entulho: Restos de Construções, Reformas, Móveis e Utensílios Inservíveis, Limpeza de Terrenos em Geral, Madeiras, Terras, Podas e Todos os Tipos de Materiais Similares.

Vamos fazer nossa parte! Afinal de contas somos consumidores conscientes e preocupados com o futuro das próximas gerações!