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Atenção: Produto altamente tóxico nos alisamentos de cabelos
Maria Rachel Coelho - 15/06/2011

A Lei proíbe o uso de produtos químicos tais como o formol. Mas alguns salões estão usando glutaral, substância 10 vezes mais forte, que esteriliza material hospitalar e veterinário

Cada vez mais mulheres procuram ter os cabelos mais lisos, e para isso não pensam que podem acabar prejudicando a própria saúde. O formol, por ter alto poder alisador, teve seu uso proibido mas deu lugar a um produto que pode ser até dez vezes mais tóxico que a substância que mantém os cadáveres sadios. O novo produto tem como principal substância o glutaral.

Esse produto é extremamente tóxico. É usado na desinfecção hospitalar e veterinária. É tão tóxico que os profissionais que o usam em ambiente hospitalar, por exemplo, devem usar roupas especiais, luvas, capa e máscara especial (aquela indicada para gases químicos pois as comuns não servem) para evitar o contato e a inalação. Além do mais, as unidades de saúde precisam ter registro para usar o produto.

Já existe denúncia do uso estético desse material que é usado na desinfecção hospitalar, o glutaral é tão potente que é capaz de esterilizar instrumentos infectados pelo vírus HIV, pelo da hepatite B e pelo bacilo da tuberculose. A utilização como intensificador em alisamentos pode ser desastrosa.

Efeitos causados

Alguns dos efeitos imediatos são queimaduras no couro cabeludo, coceira, ardência ocular e até pneumonia química. Queimadura no pulmão devido à inalação, que pode levar até à morte. A longo prazo, pode causar câncer e alterações no sistema nervoso central.


ANVISA: Utilização configura crime

De acordo com dermatologistas, tanto as mulheres que se submetem a alisamentos com o produto quanto os profissionais que manipulam o glutaral correm riscos pois as pessoas passam o glutaral no cabelo e depois usam a prancha sem enxágue. O calor faz com que seja liberado um gás tóxico. Esse produto altera o DNA e é considerado potencialmente cancerígeno. A longo prazo, a inalação desse gás provoca alterações no sistema nervoso central, que podem deixar o raciocínio lento e dificultar a coordenação motora.

O uso do glutaral como alisador já preocupa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim como o formol, o glutaral é um conservante e não um alisador e só pode ser empregado em produtos cosméticos na concentração máxima de 0,1%. No caso do formol, esse valor é de 0,2%, afirma a Anvisa.

O uso de glutaral como alisador, ou seja, em concentrações maiores do que as permitidas, é ilegal. Há casos em que o cabeleireiro o adiciona ao produto. Isso é crime.

Responsabilidades

Tanto o profissional quando o salão são responsáveis e o estabelecimento pode ser fechado. Há ainda casos em que a indústria burla a legislação e inclui a substância na formulação de alisadores, o que é proibido. Isso está sendo investigado.

A ANVISA recomenda solicitar informações ao profissional sobre o produto a ser usado, ler seu rótulo, verificar as substâncias e se há o registro de autorização na embalagem e sempre fazer teste de alergia para evitar problemas posteriores.

Veja a Lei Estadual (RJ) que proíbe o uso de produtos químicos tais como formol nos salões de beleza:


LEI Nº 5421, DE 31 DE MARÇO DE 2009.


O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei:


Art. 1º Fica proibido no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, o uso de produtos químicos tais como formol em todos os salões de beleza, para efetivação das escovas progressivas e atos similares.

Art. 2º Também fica determinado que todos os salões de beleza, clínicas de estética e similares, deverão fazer o uso de produtos químicos de acordo com o que preceitua a Resolução nº 79, de 28 de agosto de 2000, da ANVISA, e legislação em vigor aplicável à espécie.

Art. 3º Os estabelecimentos comerciais prescritos no artigo anterior, deverão ter sempre em local acessível e de fácil localização, uma tabela informando a quantidade em percentuais autorizados de produtos químicos usados em seus atos, tais como: escovas progressivas, alisamentos, relaxamentos, hidratação, penteados e todos os demais.

Parágrafo único. Em utilizando-se os estabelecimentos dos produtos tioglicolato, guanidina ou amônia, deverá também ser informado o seu quantitativo utilizado.

Art. 4º Caberá ao Poder Executivo de cada Município, através de seus órgãos competentes, a vistoria e devida fiscalização.

Art. 5º O não cumprimento desta Lei incorrerá o órgão nas sanções devidas, aplicáveis de acordo com o que determina a ANVISA e as Vigilâncias Sanitárias locais.

Art. 6º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, em 31 de março de 2009.

SÉRGIO CABRAL
Governador